Na verdade, não houve beijo nenhum. Não na minha frente. Certamente alguém beijou alguém perto daqui, na Redenção, por exemplo. Digamos que um homem beijou outro homem atrás de uma árvore, ou no banheiro da Redenção mesmo, sabe como são essas coisas. E eu nem sei por que me atrevo a dar notícias de Porto Alegre, sendo que eu não conheço nada dessa cidade, nada de interessante. Porque deve haver coisas interessantes por aqui. Esse Ateliê Livre deve ser muito afudê, seja ele o que for. Tenho preguiça pra descobrir. Minha Porto Alegre é basicamente da Bento Gonçalves até o Gazômetro, mas raramente eu vou até o Gazômetro, então posso dizer que minha Porto Alegre vai da Bento até a Santana, onde tem uma pracinha bacana, cheia de ambulâncias estacionadas, ambulâncias e microônibus de cidades do interior com nomes curiosos como Não me toque, Putinga, Rolante, etc. Aliás, essa é a minha primeira lembrança de Porto Alegre: ambulâncias. Mais precisamente, ambulâncias na Santa Casa, hospital do câncer, onde as pessoas do interior vêm morrer. É foda isso: quando diziam pra gente lá no interior que alguém ia pra Porto Alegre, a gente sabia que essa pessoa ia morrer. O Sergio Faraco fala disso num conto, acho que é sobre um bebê, um bebê que atravessa o estado (esse estado enorme e vazio que no mapa parece menor que um cocozinho de ovelha) pra morrer em Porto Alegre. Buuuuuuuuu. Tem outro conto do Sergio Faraco que é sobre um rapazinho que vem pra Porto Alegre viver com um tia professora de latim, essa coisa sexy, fantasia de todo rapaz cristão do interior. Ele um dia vê a tia tomando banho e ela percebe que ele viu ela, aí ela pega e vai na cama dele de noite e diz "Tá na hora de tu aprender essas coisas", e dá pra ele. Uhu! Incesto em Porto Alegre. Tem outro do Faraco que é Dançar tango em Porto Alegre, mas se não me engano ninguém dança nada com ninguém em Porto Alegre, muito menos tango, onde já se viu, tango é o cu do cachorro, o conto todo é uma viagem de trem (ah, a época dos trens...) onde uma mulher dá prum cara por puro tédio. Acho que é isso. Tédio. Isso é algo que os porto-alegrenses entendem bem: tédio.
eu queria comentar, mas tu muda tão rápido de assunto que não sei por onde começar. mas porto alegre é assim mesmo, um pouco de tudo em algumas palavras.
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