quarta-feira, 29 de setembro de 2010

29 de setembro de 2010

Como é comum por aqui, nada de grandiosamente interessante aconteceu. Quer dizer, ninguém importante (atualmente importante, tipo um político ou artista famoso rico) morreu, ninguém que mereça um post em homenagem. Diz que o Paul McCartney vai fazer um show por aqui em novembro, mas é só em novembro e não é certo que ele vá morrer. Até lá vai acontecer muita coisa, quer dizer, essas coisas que acontecem em Porto Alegre, como uma greve dos bancos (uma greve nacional dos bancos, essas coisas que acontecem em qualquer cidadezinha e, portanto, também em Porto Alegre, embora eu não esteja dizendo que Porto Alegre seja uma cidadezinha qualquer, embora seja, mas isso é segredo de quem mora aqui, quer dizer, tem dias em que as pessoas que moram aqui pensam - ou percebem, não sei, nos dias em que a gente pensa/percebe que isso aqui é uma cidadezinha isso aqui é uma cidadezinha, capisci? - pensam, eu dizia, pensam/percebem que isso aqui é uma cidadezinha. Bom. Era um parêntesis. Isso era pra ser jornalismo. Eu tava falando de Porto Alegre e das coisas que acontecem aqui. É. Isso. Continuo depois do fim dos parêntesis). Muitas coisas acontecem por aqui. Coisas irrelevantes, nada de grandiosamente dramático, embora os dramas de cada porto-alegrense sejam grandiosos e gloriosos. Basta olhar uma esquininha qualquer, uma repartição pública qualquer, um qualquer qualquer. Aqui vivem muitas das melhores e mais belas mulheres do planeta, por exemplo, e cada gesto efêmero de cada uma dessas mulheres é certamente um grande acontecimento. Acontecem também falcatruas, coisas que envolvem dinheiro ou falta de dinheiro, e acontecem também poesias e as árvores também por aqui florecem (por exemplo os manacás, também chamadas pretensiosamente de primaveras, essas florzinhas roxas e brancas que perfumam ruas pouco movimentadas, em Porto Alegre existem muitos manacás e cada broto é um acontecimento notável, amanhã postarei fotos, sim, isso é importante para o jornalismo, as fotos), e além das árvores tem as pessoas, que brotam dos lugares mais inimagináveis, e cada uma usando uma roupa diferente da outra, formando assim um imenso desfile por corredores e faixas de segurança. E é claro que pessoas nascem, crescem, se reproduzem e morrem, e agora mesmo eu sou capaz de ver um pintor de paredes dando em cima de uma faxineira, e se deus quiser eles vão fazer amor e daí podem surgir outros seres ou não, o importante é que tenham prazer. Ouviu, seu pintor de paredes, trata de dar prazer à faxineira. Mas nem só de pintores de parede e faxineiras é feita esta Porto Alegre. Tem de tudo aqui e eu espero rabiscar referências a pelo menos um sexto do todo, ok? Tem o Grêmio e o Inter, por exemplo, e quantos porto-alegrenses não suportam a vida porto-alegrense simplesmente por causa do Inter e do Grêmio? Vejam bem: "não suportam", na frase acima, quer dizer "suportam". Esses mistérios da língua portuguesa, tão desprezada língua. E é isso, basicamente, o que aconteceu até o momento (11hs e 20min), em Porto Alegre.

Nenhum comentário:

Postar um comentário